As contas do Instagram do cantor MC Ryan SP e do influenciador Chrys Dias foram derrubadas após os dois serem presos durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta quarta-feira (15). Débora Paixão, esposa de Chrys, também foi presa e teve sua rede social suspensa.
A ação teve como objetivo desarticular uma estrutura de lavagem de dinheiro que integrava recursos vindos do crime organizado e do mercado digital. As novas diligências são um desdobramento das operações Narco Bet e Narco Vela.
O ponto de partida foi a análise de dados armazenados em um backup na nuvem (iCloud) de Rodrigo de Paula Morgado, apontado como contador da organização. A partir disso, a PF identificou a rede autônoma que utilizava o sistema financeiro para ocultar capitais do tráfico internacional de drogas, além da exploração de apostas ilegais e rifas clandestinas.
A Justiça determinou o bloqueio de R$1,6 bilhão, valor rastreado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), e as estimativas da PF indicam que a movimentação total do grupo pode ultrapassar R$260 bilhões.
Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo utilizava um mecanismo descrito pelos investigadores como “escudo de conformidade”, em que os artistas e influenciadores digitais exploravam sua visibilidade pública para mascarar as movimentações financeiras.
O esquema teria usado mecanismos de blindagem patrimonial ao transferir participações societárias para familiares e os chamados "laranjas". A PF constatou que as ferramentas eram utilizadas com o objetivo de ocultar a origem dos valores.
As investigações também apontam ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O principal elo seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro da facção, com antecedentes por tráfico de drogas e roubos a banco.
Ele teria financiado o início da carreira do funkeiro MC Ryan SP em 2014, além de receber repasses periódicos de estabelecimentos ligados ao esquema.
Ryan seria o líder do esquema
O núcleo central da organização seria liderado por MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, apontado como principal beneficiário do esquema.
Conforme a investigação, ele utilizava empresas do setor de entretenimento para blindar patrimônio e converter recursos ilícitos em bens como imóveis, joias e veículos de luxo.
Entre os investigados estão influenciadores e artistas como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, que é citado como operador de mídia, responsável por promover plataformas de apostas e atuar na gestão de imagem.
O cantor MC Poze do Rodo (Marlon Brendon) é associado à circulação financeira de rifas digitais. Já Chrys Dias e Débora Paixão, conhecidos como “Casal Imports”, são apontados como financiadores no esquema.
A estrutura incluía também um núcleo internacional, com remessas ao exterior e evasão de divisas por meio de empresas ligadas aos investigados.
Como foi a operação
Foram expedidos 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos inicialmente, além de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal.
Durante a operação, foram apreendidos computadores, dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Porsche, BMW e caminhonetes Amarok.
Também foi determinada a quebra de sigilos telemáticos e o confisco imediato de criptomoedas mantidas em corretoras.
O que dizem as defesas
A defesa de Ryan SP afirmou que "até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos."
Já a de Marlon Brandon, conhecido como MC Poze do Rodo, informou que ainda desconhece os autos do processo e o teor do mandado de prisão expedido contra o artista.
Os advogados de Chrys Dias e Débora Paixão não foram localizados até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Veja nota na íntegra:
"A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada."
Dono da Choquei
Foto: CNN
