O time verde e amarelo bateu os donos da casa, considerados os soberanos da modalidade, na final por 120 a 115, com nada menos que 46 pontos do "Mão Santa".
Ao fim do jogo, com a medalha de ouro assegurada, o ala-pivô se deitou na quadra e, com as mãos, tapou as lágrimas que rolavam pelo rosto. A cena se tornou notável e é constantemente usada para representar momentos do esporte do país.
'Não' à NBA pelo Brasil
Um capítulo importante protagonizado por Oscar foi a recusa à NBA, liga de basquete dos Estados Unidos, para continuar defendendo a seleção brasileira.
Após os Jogos de Los Angeles-1984, ele foi draftado pelo New Jersey Nets — hoje Brooklyn Nets —, como a 131ª escolha, o que não lhe daria contrato garantido.
Depois dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil bateu os Estados Unidos na final, surgiu uma nova chance. Havia um movimento na imprensa esportiva norte-americana com a ideia de que ele pudesse defender o recém-criado Miami Heat.
À época, porém, uma regra da federação internacional de Basquete (FIBA) impedia atletas que atuassem na liga norte-americana de defender as seleções dos países, motivos que teve grande peso na decisão do "Mão Santa"
Foi uma decisão que eu nunca mudaria. Foi a decisão mais fácil que já tomei na minha vida. Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe, é diferente. É representar um país inteiro, e isso é muito melhor do que jogar na NBA.
Oscar, à EFE, em 2019
"Na NBA, você volta rico, mas na seleção você será famoso, e as pessoas tiram o chapéu para você. Isso não tem preço. Eu jogava de graça. Eu terminava a temporada inteira na Itália e vinha para seleção para jogar de graça", ressaltou
"Tive propostas, mas preferi não jogar na NBA. O fato de jogar na NBA não significa que o jogador que está lá seja um fenômeno, porque há jogadores péssimos na NBA. É uma pena, porque o que mais motiva é a NBA e, na minha época, tive que escolher", completou.
Em 2017, Oscar pisou em quadra em um jogo da NBA. Ele recebeu uma homenagem do Brooklyn Nets e participou do jogo das celebridades no All-Star Game, em Nova Orleans.
Oscar foi diagnosticado com câncer no cérebro em 2011 e, em 2022, anunciou ter vencido a "batalha" contra a doença. "Ter curado o câncer para mim foi um negócio de outro planeta", afirmou em entrevista ao Alt Tabet, no Canal UOL, em 2024.
O ex-jogador de basquete contou como uma entrevista ao jornalista Roberto Cabrini o ajudou, após ser "morto" pela imprensa devido ao câncer.
"Ele chegou lá em casa para fazer a matéria da vida dele, eu falei: 'Cabrini, olha para mim, veja se eu estou doente. Não estou doente'. Ele falou: 'É, você não está doente'. Ele ficou o dia todo lá em casa e me salvou".
O "Mão Santa" também lembrou um episódio com o Papa Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013.
O papa me ajudou bastante. Ele veio ao Brasil, o governo do Rio me colocou dentro do Palácio com outras famílias [para conhecê-lo]. Ele botou a mão na minha cabeça e falou 'considere-se abençoado'. Tenho minhas crenças e o papa estava ali, eu olhando no olho dele, foi um dos melhores momentos que tive na vida.
-Oscar
Oscar nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Na infância, a predileção era pelo futebol. O interesse pelo basquete surgiu após a mudança para Brasília, por influência de Zezão — seu técnico no Salesiano, que o incentivou, aos 13 anos de idade a procurar o Clube Unidade da Vizinhança, que era treinado por Laurindo Miura.
Em 1974, aos 16 anos, Oscar mudou-se para São Paulo para iniciar sua carreira no infanto-juvenil do Palmeiras. Com boas atuações, foi convocado para a seleção juvenil de basquete; em 1977, foi eleito melhor pivô do sul-americano juvenil e, com isso, garantiu vaga na seleção principal. No ano seguinte, foi campeão sul-americano e ganhou uma medalha de bronze no Campeonato Mundial das Filipinas.
O técnico Cláudio Mortari levou o jovem para o Sírio, onde conquistou, em 1979, a Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete. Em 1980, disputou a primeira Olimpíada, em Moscou.
Em 1982, Oscar chegou à Itália, onde jogou por 11 temporadas, com passagem por dois clubes: foram oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia. Durante este período, foram 13.957 pontos, que fizeram com que ele se tornasse o primeiro jogador a ultrapassar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano.
O ala-pivô se transferiu para o Fórum, de Valladolid, na Espanha, em 1993, onde ficou até 1995 antes de retornar ao Brasil.
Oscar conquistou o oitavo brasileiro da carreira pelo Corinthians, em 1996. Ainda defendeu o Banco Bandeirantes, entre 1997 e 1998, Mackenzie, entre 1998 e 1999, e Flamengo, entre 1999 e 2003.
Foi vestindo Rubro-Negro que se tornou na ocasião o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 pontos, posto que pertencia a Kareem Abdul-Jabbar, com 46.725 pontos. Em 2024, LeBron James superou a marca.
O brasileiro se aposentou das quadras em 2003.
Fonte: UOL
Imagem: Arquivo CBB
