Cristiano Ronaldo pode transformar o Al-Nassr no próximo capítulo de sua carreira. O atacante português integra um consórcio que prepara uma proposta para adquirir o clube junto ao Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF). O movimento guarda semelhanças com o caminho percorrido por David Beckham, que começou a construir sua trajetória como proprietário de clube enquanto ainda era jogador.
A principal diferença está na estrutura dos negócios. Enquanto Beckham garantiu o direito de fundar uma franquia na MLS ao assinar com o LA Galaxy, em 2007, Cristiano Ronaldo já estaria ligado diretamente a um clube consolidado, com estrutura, elenco e presença internacional.
Beckham começou a preparar o futuro ainda como jogador
Quando trocou o Real Madrid pelo LA Galaxy, Beckham incluiu em seu contrato uma cláusula que lhe dava o direito de criar uma equipe na MLS. O inglês assinou por cinco anos, com salário anual de US$ 6,5 milhões, além do mecanismo que posteriormente seria utilizado para viabilizar a criação de sua própria franquia.
Em 2014, Beckham acionou a cláusula e adquiriu o direito por US$ 25 milhões, valor equivalente a R$ 47,9 milhões na época. Atualmente, a licença para uma nova equipe da liga norte-americana gira em torno de US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões.
A escolha de Miami, nos Estados Unidos, como sede do projeto levou em consideração, entre outros fatores, a forte presença da população latina na cidade. O caminho até a consolidação do Inter Miami, entretanto, envolveu uma série de obstáculos.
Beckham enfrentou parcerias que não avançaram e chegou a trabalhar com três projetos diferentes de estádio que não saíram do papel. Em 2016, três anos depois de encerrar a carreira, o ex-jogador acumulava perdas de US$ 39 milhões, aproximadamente R$ 127 milhões naquele momento, mas continuava sem abrir mão do controle que poderia exercer sobre uma franquia.
O projeto exigiu investimentos em terreno, estádio, centro de treinamento e na formação de um elenco. A entrada dos irmãos Jorge e José Mas mudou a estrutura financeira do negócio. Os empresários, que construíram patrimônio bilionário no setor de engenharia e construção, tornaram-se acionistas majoritários. Beckham, Jorge Mas e José Mas fundaram oficialmente o Inter Miami em 2018.
Messi muda o patamar do Inter Miami
A transformação comercial do clube ganhou outra dimensão em 2023, com a chegada de Lionel Messi. Desde então, a receita anual do Inter Miami passou de aproximadamente US$ 70 milhões para mais de US$ 250 milhões, impulsionada principalmente pela venda de ingressos e pela chegada de novos patrocinadores.
A Forbes estima atualmente o valor do clube em US$ 1,4 bilhão, cerca de R$ 7,2 bilhões. Beckham possui 26% da equipe, participação avaliada em aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
O ex-jogador acumulou mais de US$ 500 milhões em ganhos dentro e fora dos gramados até o fim de sua carreira, em 2013. Atualmente, seu patrimônio é estimado em US$ 1 bilhão.
O projeto também ganhou uma nova estrutura física. Em abril deste ano, o Inter Miami inaugurou o Nu Stadium, próximo ao Aeroporto Internacional de Miami. A arena tem capacidade para 27 mil torcedores e recebeu investimento estimado em US$ 350 milhões, aproximadamente R$ 1,8 bilhão, com financiamento dos irmãos Mas.
Cristiano Ronaldo pode seguir caminho parecido
A possível aquisição do Al-Nassr também envolve um grupo de empresários com grande capacidade financeira. Além de Cristiano Ronaldo e Gerry Cardinale, proprietário do Milan, o consórcio é formado por Ibrahim Al-Muhaidib, Mohammed Al-Khuraiji e Sharaf Al-Hariri. A proposta prevê que cada integrante coloque pelo menos US$ 100 milhões, aproximadamente R$ 515 milhões, para a compra do clube saudita.
Fonte: Portal Leo Dias
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