Ação policial bloqueia até R$ 10 milhões e cumpre 28 mandados no PR, RJ e SP

Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou na manhã desta sexta-feira (18) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e no transporte de armas para criminosos do Rio de Janeiro. A investigação aponta que uma família do Paraná estaria envolvida na logística dos carregamentos, que seguiam principalmente pelo eixo Maringá-Curitiba-Rio de Janeiro.

Ao todo, são cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, além de endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, até o limite de R$ 10 milhões, além de medidas para garantir o sequestro de 19 veículos.

Drogas e armas apreendidas

As investigações começaram em fevereiro deste ano, após o compartilhamento de provas obtidas durante a prisão de um traficante, em dezembro de 2025. Segundo a PCPR, ele era responsável pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas de Curitiba para comunidades dominadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Com o avanço das apurações, os policiais identificaram outro homem que teria assumido a função logística. Segundo a investigação, ele contava com a participação da companheira e dos quatro filhos.

Em 18 de junho, em Campo Largo, a PCPR apreendeu cerca de 459 quilos de cocaína e crack, um fuzil calibre 5,56 milímetros, nove pistolas 9 milímetros e 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 milímetros. Dois integrantes da família foram presos durante o transbordo do material de um caminhão para um veículo utilitário.

Onze dias depois, em Ourinhos (SP), a Polícia Militar paulista apreendeu outro carregamento relacionado ao grupo. Foram encontrados 18 fuzis, carregadores e uma quantidade significativa de drogas.

De acordo com a PCPR, os entorpecentes e armamentos eram escondidos em meio a cargas lícitas transportadas em caminhões. A organização também utilizaria veículos "batedores", que seguiam à frente dos caminhões para informar a localização de viaturas e postos policiais.

Empresas de fachada

A investigação aponta ainda que o grupo utilizava documentos e empresas para ocultar o patrimônio e movimentar o dinheiro obtido com as atividades criminosas.


Segundo a PCPR, o principal investigado teria criado uma identidade falsa para abrir uma transportadora de fachada, contas bancárias e registrar veículos de alto valor. Um dos filhos também teria criado uma identidade paralela e aberto duas empresas, sendo uma delas localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, alvo de busca nesta sexta-feira.

A análise financeira identificou aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos movimentados pelos investigados, valores considerados incompatíveis com as rendas declaradas.

Uma das empresas ligadas à família teria movimentado R$ 2,5 milhões em 2025. Outra, registrada em nome de dois filhos do investigado, movimentou R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026, embora tenha declarado faturamento de pouco mais de R$ 34 mil.

A PCPR também identificou movimentações envolvendo uma empresa de serralheria e vidraçaria que, segundo a investigação, faria a ligação financeira entre o grupo paranaense e a facção criminosa do Rio de Janeiro. A empresa movimentou mais de R$ 17 milhões em créditos em 2025.

Ainda conforme a polícia, foram identificadas a compra de uma aeronave, a construção de um hangar em Foz do Iguaçu e a aquisição de uma cota em um clube de voo no interior de São Paulo por R$ 989,5 mil.

A operação busca reunir novas provas sobre a atuação do grupo e interromper a estrutura utilizada para o transporte de drogas, armas e lavagem de dinheiro.


Fonte: Catve/ PCPR