As tartarugas-gigantes das Ilhas Galápagos enfrentaram uma forte redução populacional a partir do século XVI, quando piratas e baleeiros passaram a capturá-las para alimentação. A capacidade desses animais de sobreviver por longos períodos sem comida ou água facilitava o transporte nos navios. Em cerca de dois séculos, entre 100 mil e 200 mil tartarugas desapareceram do arquipélago.
Cada ilha de Galápagos possui espécies próprias de tartarugas, adaptadas às condições locais. Algumas foram completamente extintas, entre elas a tartaruga-de-floreana, considerada desaparecida por volta de 1850.
A possibilidade de recuperar essa linhagem surgiu em 2000, quando pesquisadores encontraram, no Vulcão Wolf, na Ilha Isabela, tartarugas com características diferentes das espécies conhecidas na região. Análises genéticas confirmaram posteriormente que os animais pertenciam à linhagem Floreana. Uma das hipóteses é que tartarugas tenham sido levadas por piratas e baleeiros e posteriormente deixadas na região.
Desde então, exemplares foram encaminhados para o Centro de Criação de Tartarugas Terrestres Fausto Llerena, onde passaram por cuidados e reprodução. O centro trabalha com ovos e animais adultos, utilizando incubadoras com temperaturas diferentes para determinar o sexo dos filhotes. Após aproximadamente quatro meses, os ovos eclodem e os filhotes passam por uma fase de proteção antes de serem preparados para a vida na natureza.
Em fevereiro de 2026, 158 filhotes foram soltos na Ilha Floreana, equipados com dispositivos de rastreamento por satélite. Segundo os pesquisadores, a tecnologia, com recursos da Nasa, ajudou a identificar áreas consideradas adequadas para a reintrodução dos animais.
Os animais libertados são híbridos, com parte da composição genética da tartaruga-de-floreana e parte de espécies nativas do Vulcão Wolf. Os pesquisadores ainda não encontraram uma tartaruga-de-floreana considerada geneticamente pura, mas acreditam que exemplares possam existir na região.
Além da preservação da própria espécie, a recuperação das tartarugas contribui para o equilíbrio ambiental de Galápagos. Elas atuam na dispersão de sementes, modificam a vegetação e criam espaços utilizados por outras espécies. Cada tartaruga pode consumir até 225 quilos de vegetação por ano e pesar até 400 quilos.
Nos últimos 60 anos, mais de 9 mil tartarugas-gigantes foram criadas em cativeiro e devolvidas à natureza. O processo de recuperação, no entanto, é considerado lento, já que esses animais crescem e se reproduzem ao longo de períodos prolongados.
Fonte: CNN
Foto: CNN
