Pai recebe transplante de fígado do filho após enfrentar câncer por dois anos

Foto: Reprodução/ GMC Online

Após dois anos de luta contra o câncer, cinco procedimentos médicos e dezenas de sessões de quimioterapia, o maringaense Marcelo Ribeiro Hilário comemora uma nova etapa de vida graças a um gesto de solidariedade dentro da própria casa. Ele superou a doença após receber parte do fígado de seu filho, Pedro Koyti Ishida Hilário, de 17 anos, em um transplante realizado em São Paulo. Pelo fato de o doador ser menor de idade, a cirurgia precisou de uma autorização especial da Justiça para ser concretizada. Após a alta hospitalar, pai e filho já retornaram a Maringá, onde seguem em processo de recuperação.

A intervenção cirúrgica destacou-se também pela tecnologia empregada para garantir a segurança do adolescente. A retirada da porção do fígado de Pedro foi feita com o auxílio de uma plataforma robótica. De acordo com o médico André, membro da equipe que acompanhou o transplante, o uso de quatro braços mecânicos permitiu a divisão do órgão de forma minimamente invasiva. A técnica exigiu apenas uma pequena incisão final para a extração, detalhe que reduz a dor e acelera significativamente o pós-operatório do doador.

Apesar de o procedimento ter sido um sucesso, a jornada até o centro cirúrgico foi marcada por apreensão. Marcelo relatou que seu maior temor durante todo o processo era colocar a vida do filho em risco, preocupação que só foi amenizada após as garantias da equipe médica sobre a segurança de ambos. O médico Alvo Orlando Vizzotto Junior, que acompanha o caso desde o diagnóstico inicial, celebrou a resiliência do paciente, classificando-o como um guerreiro. O especialista aproveitou a recuperação de Marcelo para alertar sobre a natureza silenciosa e traiçoeira do câncer, reforçando que a prevenção e a realização de exames de rotina são fundamentais, mesmo quando não há sintomas aparentes.

De volta ao lar e acolhido pela esposa, por amigos e por seus cachorros de estimação, Marcelo agora foca em retomar os hábitos que a rotina hospitalar o obrigou a pausar. Entre seus maiores desejos estão o retorno ao trabalho e a volta aos passeios e trilhas de moto, uma paixão que compartilha justamente com Pedro. Embora a fase mais crítica do tratamento oncológico tenha ficado para trás, a nova vida ainda exige disciplina: a recuperação de Marcelo continuará sob monitoramento médico contínuo e ele precisará fazer uso de medicamentos diários pelo resto da vida para garantir a adaptação do novo órgão.


Fonte: CGM