Dólar avança com petróleo a US$ 105 e atenção ao cenário eleitoral

Imagem criada por inteligência artificial

O dólar opera em leve alta no mercado à vista na manhã desta quinta-feira (8), em um ambiente de cautela no exterior e monitoramento do cenário eleitoral doméstico. Os juros futuros médios e longos também avançam, enquanto os investidores acompanham a valorização do petróleo Brent para US$ 105 por barril, a alta dos rendimentos dos Treasuries e a expectativa de nova elevação de juros nos Estados Unidos ainda neste ano.

No mercado internacional, o movimento ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e após a ata do Federal Reserve reforçar a perspectiva de aperto monetário adicional. Com isso, a moeda americana e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos sobem, enquanto as bolsas internacionais recuam.

O petróleo em patamar elevado entra no radar por ampliar os riscos inflacionários e sustentar o viés de juros mais altos. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito a 2,50%, e manteve o discurso de flexibilidade diante do ambiente de incerteza.

No Brasil, o chamado trade eleitoral atua como fator de compensação ao cenário externo mais negativo. Os agentes acompanham a primeira pesquisa do segundo turno divulgada pelo PoderData/Aya, que mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos, ante 47% de Lula (PT). A vantagem passou de 1,87 ponto porcentual para 6 pontos em relação ao levantamento registrado no primeiro turno. O mercado também aguarda a divulgação do Datafolha no fim da tarde.

Na agenda de indicadores, o IPC-S subiu 0,39% na primeira quadrissemana de outubro, após alta de 0,67% no fim de setembro, acumulando 4,21% em 12 meses. A desaceleração foi puxada por Habitação, que saiu de 1,99% para 0,21%. Já Alimentação acelerou de 1% para 1,27%, com pressão de itens como tomate e batata-inglesa.

Também nesta quinta-feira (8), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou queda da produção industrial em 10 dos 15 locais pesquisados em agosto ante julho. Os destaques negativos foram Pará, com recuo de 7,3%, Amazonas, com baixa de 5,7%, e Rio Grande do Sul, com 4,5% de retração. Em São Paulo, a produção caiu 0,2%.

O pregão desta quinta-feira (8) reúne pressão externa vinda do avanço do petróleo, da alta dos Treasuries e da expectativa de juros maiores nos Estados Unidos, enquanto o mercado doméstico divide atenções entre inflação, atividade industrial e pesquisas eleitorais.


Fonte: Estadão Conteúdo